Mulheres e os Lobos

 O retorno à vida feita à mão,

a cura dos instintos feridos

Quando um conto de fadas termina como esse, com a morte ou a mutilação do protagonista, nós nos perguntamos como o fim poderia ter sido diferente.

Em termos psíquicos, é bom criar um local intermediário, uma estação secundária, um lugar bem escolhido, quando se escapa da fome. Não é demais tirar um ano ou dois, para avaliar os nossos ferimentos, procurar orientação, ministrar os medicamentos, meditar sobre o futuro. Um ano ou dois é um tempo limitado. A mulher braba é aquela que está tentando voltar. Ela está aprendendo a acordar, a prestar atenção, a parar de ser ingênua, desinformada. Ela apanha a vida nas próprias mãos. Para reaprender dos instintos femininos profundos, é essencial, para começar, que se veja como eles foram destituídos.

Quer os danos tenham sido sofridos pela sua arte, pelas suas palavras, estilos de vida e pensamentos, quer pelas suas ideias, e se você tiver tricoteado uma pulôver a muitas mangas para si mesma, acabe com esse emplastro e siga adiante. Para além dos anseios e desejos, para além dos métodos compulsórios e condenatórios que adoramos discutir e discutir, há uma simples trilha à espera de que a cruzemos. Do outro lado, há pés novos. Vá até lá. Rasteje até lá se for necessário. Pare de falar e de se atormentar. Simplesmente aja.

Não temos controle sobre quem nos põe neste mundo. Não podemos influenciar a fluência com a qual nos criam; não podemos forçar a cultura a se tornar hospitaleira instantaneamente. No entanto, as boas notícias consistem em podermos reviver nossas vidas, mesmo depois de feridas — mesmo num estado feroz, mesmo que estejamos no cativeiro.

Mulheres que correm com os Lobos



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