Lá no futuro
Vivemos entre circuitos e pulsares,
onde o concreto aprendeu a sonhar em neon.
A cidade respira códigos,
e cada passo é um manifesto silencioso
contra a obsolescência da alma.
Carrego no peito a estética do excesso
e nos olhos a fadiga do mundo hiperconectado.
Sou feita de carne, falha e desejo,
mas penso em linguagem binária:
ou me reinvento, ou desapareço.
O cyberpunk não é futuro
é agora.
É o corpo que resiste à máquina,
é a mulher que ocupa o espaço
com tinta, cicatriz e consciência.
É escolher sentir em um tempo
que ensina a anestesia como virtude.
Como nos meus versos antigos,
ainda quero cores
mas não mais o rosa fácil.
Quero o verde ácido das ruas molhadas,
o roxo elétrico da madrugada sem promessas,
o preto profundo de quem já caiu
e decidiu levantar com estilo.
A filosofia moderna me ensinou
que não há totalidade,
apenas fragmentos que insistem em existir.
E eu sou colagem:
de Nietzsche, quando afirmo minha vontade;
de Foucault, quando vigio minhas próprias prisões;
de mim, quando escolho não me apagar.
Entre telas, algoritmos e ruídos,
faço do corpo um território político
e da estética, uma forma de coragem.
Porque pensar hoje
é um ato insurgente.
E viver,
um poema escrito em luz artificial
sobre um chão rachado de realidade.
Dress @vanessamayarah / @vanga.atelie
Fotografia @massabrasilis / fome.arte
Modelo @vanneink










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