Silêncio raro de voar
O silêncio mais raro é aquele plantado pelas próprias mãos - um jardim suspenso onde a consciência repousa e a alma floresce sem testemunhas. Havia nos domingos uma espécie de claridade antiga, como se o universo respirasse diferente quando teu sorriso se aproximava do meu destino. Eram dias feitos de fios invisíveis: memórias que se desenrolavam como fitas ao vento, saudades impregnadas no ar, lembranças do teu cheiro que me visitava como um sagrado incenso, e teu abraço - abrigo que me devolvia o próprio nome. Eu sorria quando você deixava cair no mundo aquele sussurro: “falta pouco.” E, então, eu desejava que esse pouco fosse infinito, que transbordasse as margens do tempo, que se derramasse pelas nossas taças como um orvalho maduro, que transformasse cada fragmento do futuro em território fértil para os nossos sonhos. Onde adormeceu, dentro de ti, aquele sonho em que éramos dois viajantes perdidos num lugar improvável? Nossos domingos eram pequenas constelações, aventuras subterrân...








