Identidade e Abstrato
A arte abstrata moderna, que conhecemos hoje, nasceu graças ao impressionismo, pós-impressionismo e cubismo. Foram esses movimentos que abriram espaço para entendermos que a arte não precisa, necessariamente, representar algo de forma literal. Ela pode ser sensação, impulso, gesto, memória, caos ou silêncio.
Ao longo dos anos, fui construindo minha própria identidade artística. É um processo que mistura minha personalidade, minhas referências, meus estudos sobre cores, formas e experiências internas que decido colocar para fora. Nunca encarei uma tela como “errada”, porque para mim o abstrato sempre foi esse encontro entre eu e o que o pincel decide revelar naquele dia. Criar no abstrato é ter liberdade, liberdade do traço perfeito, da forma esperada, da lógica rígida. É sensitivo. Cada textura de tinta, cada cor, cada material, cada movimento das mãos faz com que a arte aconteça de maneira única.
Quando estudo os artistas que vieram antes de mim, especialmente Jackson Pollock, percebo como essa liberdade também nasce de um mergulho profundo no inconsciente. Pollock foi um dos nomes mais significativos do Expressionismo Abstrato americano, conhecido por se entregar completamente ao gesto, ao movimento e ao fluxo interno. Sua busca não era pelo objeto final, mas pelo ato criativo, pelo instante em que o gesto fala antes do pensamento. Ele acreditava que a origem da pintura estava no inconsciente, e isso transformou para sempre a forma como vemos a arte.
O “dripping”, técnica que consiste em pingar ou derramar tinta sobre a tela estendida no chão, já havia sido experimentado por Max Ernst, mas foi Pollock quem levou o método ao limite. Ali, no movimento do corpo inteiro, na ação, na entrega, a pintura acontecia. Era por isso que chamavam de pintura de ação, porque o processo era tão importante quanto o resultado.
Hoje, quando me coloco diante de uma tela, entendo que minha arte também nasce desse lugar profundo, uma mistura de intuição, história, emoções e liberdade. E, assim como Pollock, acredito que a obra acontece quando deixo que o inconsciente participe do processo. É ali que a arte verdadeiramente respira.










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