Memórias
Quanto tempo duram as memórias? Há quem diga que o tempo as dissolve. Eu desconfio. Talvez o tempo apenas lhes ensine outra forma de existir. As memórias não obedecem aos calendários. Habitam um lugar onde os relógios já não alcançam. Permanecem adormecidas até que um perfume, uma canção, um livro esquecido sobre a mesa ou a luz de um fim de tarde lhes devolvam o fôlego. Elas nascem dentro de nós? Ou já percorrem o mundo à nossa espera, aguardando apenas o instante exato em que um encontro lhes dará morada? Há lembranças que chegam sem pedir licença. Outras escolhem o silêncio e repousam durante anos, como sementes escondidas sob a terra, até que um gesto de ternura faça brotar uma primavera inteira. E são passageiras? Talvez sejamos nós que passamos por elas. As memórias permanecem. Mudam de linguagem, de intensidade, de cor, mas nunca deixam completamente o coração que um dia as acolheu. O amor conhece bem esse mistério. Ele termina antes na realidade do que naquilo que permanec...





